Auto importância, dragão com mil cabeças…

07dez10

Um dos aspectos do nosso caminho que mais nos afeta negativamente e drena uma parte grande da nossa energia é a nossa auto importância.

Para os xamãs, ela é um dragão de 3 mil cabeças, quase invencível, que parece nunca ter fim.

Gastamos uma quantidade enorme da nossa energia preocupados com o “eu”.

Com o que os outros estão pensando sobre nós, ou sobre o que nós pensamos sobre nós mesmos.

Querendo agradar as pessoas, querendo manter uma imagem social, querendo parecer humilde demais ou “fodão” demais, ficando ofendidos com qualquer coisa, nervosinho com qualquer coisa, decepcionados e magoados com qualquer situação, sendo afetados pelas atitudes dos outros, querendo dar satisfação pra todo mundo de tudo que faz, tendo uma imagem exagerada de nos mesmos totalmente despropositada, querendo nunca decepcionar ninguém, querendo ter sempre razão, querendo mostrar que está bem, querendo provar algo as outras pessoas, querendo ser bonzinho pra ser aceito, querendo ser legal pra receber amor,etc.

Ficamos tão preocupados com nossa imagem social e nosso auto-reflexo, que em algum momento, gastamos toda nossa energia tentando equilibrar esse circo todo que armamos em volta do nosso ego.

Essa é a parte mais macabra e dramática da influência da auto importância em nossas vidas: você se torna refém das suas loucuras e da loucura dos outros, e gasta toda sua energia numa batalha que não é a sua, ficando preso as correntes invisíveis da sua história pessoal e das expectativas irreais, suas e dos outros.

Você deixa de ser você mesmo e se desconecta da sua essência.

Isso tem que ser resolvido, antes de qualquer empreitada no caminho do conhecimento.

Toda essa energia gasta com nosso auto-reflexo e culto ao “eu” precisa ser redirecionada para fins mais produtivos.

O guerreiro deve batalhar dia-a-dia, momento a momento, para controlar sua auto importância num primeiro momento, e depois exterminá-la.

A quantidade de energia que é liberada quando o guerreiro controla sua autoimportância e vaidade é tão grande, que é inevitável uma mudança em curto prazo da sua visão de mundo e de si mesmo.

Sua percepção da realidade fica muito mais sóbria e envolvente.

Sem os apegos e mesquinharias do ego, sem o desperdício de energia que outrora ocorria sustentando uma visão de mundo baseada no culto ao “eu”, o guerreiro “abre” sua visão, como se lhe tirassem os antolhos que antes limitavam sua percepção, e vê o mundo a sua volta de uma forma totalmente diferente.

A autoconfiança do guerreiro tem de vir de dentro, derivando da sua impecabilidade, e não de fora, através de validações, aprovações e opiniões alheias.

A impecabilidade do guerreiro, onde ele oferece seu melhor em todas as circunstâncias e desafios de sua vida como forma de gratidão ao universo pelo milagre da sua existência, é um gesto seu para com o Espírito, e não precisa de plateia.

Por: Carlos Castañeda

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